Pesquisa mostra que empresários seguem ressabiados com economia

Estudo da fundação Dom Cabral aponta que havia uma expectativa dos empresários, vendida pelo próprio governo, de que as reformas avançariam mais rápido

Após a euforia do início do primeiro trimestre, a desconfiança do segundo. É este o sentimento que predomina entre os empresários brasileiros, segundo pesquisa exclusiva do professor Fabian Salum, da Fundação Dom Cabral, em parceria com a consultoria Grant Thornton.

O estudo mirou um período que geralmente recebe pouca atenção dos pesquisadores: aquele compreendido entre os meses de abril e junho. O objetivo é compreender os aspectos que influenciam a tomada de decisão dos empresários e o consequente crescimento das companhias e da própria economia brasileira. “É aquele momento em que já dá para avaliar o desempenho do governo”, diz Salum. “Descobrimos que a incerteza com as medidas econômicas tem prejudicado o planejamento das companhias”.

O Brasil, vale lembrar, chega a setembro com repetidas revisões para baixo nas perspectivas de crescimento para o PIB. A mais recente projeção do Banco Central é de avanço de 0,9% em 2019 e de 1,8% em 2020 — as duas estimativas abaixo das projeções do início de governo.

Responderam à pesquisa 207 executivos, metade deles de grandes empresas brasileiras. Dois terços da amostra são de empresas de serviços, e 74% dos respondentes são presidentes, diretores, conselheiros ou sócios das companhias.

Há praticamente um consenso sobre a importância das reformas para a retomada dos investimentos e do crescimento da economia: 98% consideram a reforma da Previdência relevante e 97% consideram a tributária relevante. Além disso, 92% acreditam ser importante o controle de gastos públicos, enquanto 72% veem como relevante a descentralização fiscal.

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