Tiro atravessou cérebro de motorista de APP baleado durante assalto

Familiares fazem corrente de oração em favor da vida do motorista

Manaus – O estado de saúde do motorista de aplicativo de mobilidade urbana Mário Jorge Oliveira da Silva, 47, baleado na noite de terça-feira (13), após um sofrer um assalto na avenida Creta, bairro Nova Cidade, Zona Norte de Manaus, é gravíssimo. O tiro atravessou o cérebro dele. 

Ele permanece internado no Hospital e Pronto-Socorro Doutor João Lúcio Pereira Machado, na Zona Leste da capital. Durante a tarde desta quarta-feira (13), familiares, motoristas de aplicativo e amigos estiveram reunidos no hospital em uma corrente de oração. No lugar foram ditas palavras de esperança e alguns louvores foram entoados. 

A esposa dele, Maria de Fátima Silva Rego, de 46 anos, informou que a vítima está entubada e respirando por meio de aparelhos. Eles estão juntos há 25 anos.

“A situação está difícil, mas entregamos nas mãos de Deus. Tenho muita fé que ele vai sair dessa. Toda a família veio aqui ao hospital dar apoio. Além de muitos motoristas de aplicativos, umas 300 pessoas já passaram por aqui hoje. Ontem foi o primeiro dia dele como motorista de aplicativo e, infelizmente, aconteceu essa fatalidade”, relatou a mulher da vítima. 

Maria de Fátima explicou que Mário estava participando de uma seleção para trabalhar, pois estava desempregado há algum tempo. Para ajudar na renda da família, ele decidiu atuar como motorista de aplicativo. 

Corrente de Oração

“Nesse momento estamos lembrando dos momentos bons. Muitos amigos e pessoas solidárias, que estão comovidas com a situação, estão nos dando apoio. Mário tem quatro irmãos e eles estão aqui também nessa corrente de oração. A mãe dele ainda não sabe o que aconteceu, mas teve uma sensação ruim. Ela passou mal e está internada em uma unidade hospitalar”, contou Maria de Fátima. 

Ao Em Tempo, ela disse que o esposo já tinha trabalhado como o taxista e que muitas pessoas estavam espalhando notícias falsas sobre o estado de saúde dele. 

Categoria

O motorista de aplicativo João Rodrigues, de 31 anos, estava no hospital dando apoio à família de Mário. ele fez questão de destacar que atualmente a situação da categoria é muito difícil por conta da falta de segurança. 

“Estamos expostos aos riscos diariamente, seja por falta de apoio das próprias plataformas de aplicativos ou das autoridades. Quantos de nós vai ter que morrer ou ser assaltado para que realmente tenhamos segurança? As plataformas têm que ser mais rigorosas”, destacou o profissional.

João aconselhou ainda que todas as pessoas que atuam como motorista de aplicativo, participem de algum grupo que oferece segurança para eles”.

Crime

Mário foi baleado por volta das 23h, após ser surpreendido por uma dupla de assaltantes, na avenida Creta, bairro Nova Cidade. Ele foi encontrado dentro do veículo que dirigia, modelo Volkswagen, Gol, de cor prata e placas AVP-2G25, com um ferimento na cabeça. 

Após três horas de buscas, um suspeito – identificado como César Augusto Caio Oliveira, de 37 anos – foi preso pela Polícia Militar com duas armas de fogo e munições.

Nota

A plataforma de aplicativos de mobilidade urbana pelo qual Mário atuava, emitiu uma nota sobre o caso e sobre a reclamação de motoristas referente a falta de segurança. Segue abaixo: 

A empresa tem como política estar sempre aberta ao diálogo com os usuários, motoristas e passageiros. Respeitamos o direito à liberdade de expressão e manifestação dentro dos limites legais e da ordem pública.

 A empresa lamenta profundamente esses casos de violência e se solidariza com a família das vítimas. A empresa tem a segurança como prioridade em sua estratégia, com foco em três pilares: prevenção das ocorrências, proteção dos motoristas durante o trabalho e atendimento humanizado, quando necessário. 

Ou seja, o aplicativo atua pela segurança antes, durante e depois das corridas. Antes das chamadas, os motoristas recebem informações sobre o destino, a nota do passageiro e se ele é frequente, além de o app pedir ao passageiro que inclua CPF ou cartão de crédito antes da primeira corrida. 

Os condutores podem escolher não receber pagamento em dinheiro e a empresa realiza cursos presenciais com orientações sobre segurança, indicando tipos de corridas suspeitas, zonas de risco e explicando a central de atendimento. 

Outros recursos focados em prevenção são o uso de inteligência artificial que pode evitar ocorrências ao vasculhar padrões de comportamento de pessoas mal-intencionadas e bloquear as chamadas de risco, além de mapear zonas perigosas com o envio de notificações ao condutor para que ele possa decidir aceitar ou não a viagem.

Durante as corridas, o motorista utiliza uma câmera de segurança, outra ferramenta que contribui para aumentar a segurança do usuário do aplicativo. A iniciativa está em fase de expansão e a região de Goiânia foi uma das primeiras a receber a tecnologia. 

Os condutores estão protegidos em suas corridas realizadas pela plataforma e podem acionar a empresa a qualquer momento em busca deste atendimento. Além disso, desde o aceite até a finalização das corridas, eles são cobertos por um seguro contra acidentes pessoais.

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