Atraso em pagamento de salários na saúde do Amazonas vira notícia nacional

A reportagem mostra que a crise chegou aos pronto-socorros de Manaus, onde pacientes informaram que estão faltando medicamentos básicos.

O Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão informou, na noite da última segunda-feira, que o atraso no pagamento de salários de servidores terceirizados agravou a crise na saúde pública do Amazonas. A reportagem mostra que a crise chegou aos pronto-socorros de Manaus, onde pacientes informaram que estão faltando medicamentos básicos, o que obriga os familiares a comprar, segundo os depoimentos.

No Hospital Francisca Mendes, o único que faz cirurgias cardíacas no Norte do país, 220 crianças aguardam na fila. Em pronto-socorro, famílias são atendidas em corredores e precisam comprar medicamentos. Crise afeta maternidades e outros hospitais da rede pública.

Segundo a reportagem, no fim de semana, pacientes e enfermeiros denunciaram a superlotação na maternidade Balbina Mestrinho, localizada na Zona Sul de Manaus. O caso trouxe à tona a crise que toma conta de outros hospitais da rede pública do Amazonas. A superlotação, falta de leitos e de medicamentos é a reclamação geral, além do quadro reduzido de funcionários nas unidades.

No Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, em Manaus, pacientes são atendidos em corredores e o ar-condicionado não funciona (Reprodução/Rede Globo)

No Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, por exemplo, a superlotação transformou corredores em salas de atendimento médico. As famílias que precisam, compram os próprios remédios. “A gente tem que comprar antialérgico e essas coisas”, conta uma senhora que acompanha uma paciente, no corredor do hospital. Questionada se passa pela mesma situação, ela relata: “até o remédio da pressão dela não tem aqui, o Losartan. Não tem, a gente tem que comprar”, conta uma parente de paciente.

A medicação é usada para tratamento de hipertensão ou insuficiência cardíaca.

Indignados, os próprios pacientes gravaram as cenas que mostram os diferentes casos de falta de infraestrutura dentro dos hospitais. Em um deles, por exemplo, dentro de uma sala de observação, quem consegue vaga precisa se abanar, porque o ar condicionado já não funciona.

Na maternidade Ana Braga, também da rede estadual, são as mães que cuidam dos bebês recém-nascidos ou prematuros nas incubadoras. Elas dão medicação e alimentação por sonda, porque não há enfermeiros.

É o mesmo cenário encontrado na maternidade Balbina Mestrinho, onde faltam médicos e enfermeiros. Lá, mães e bebês ficam abrigados pelos corredores, com apenas cadeiras. Os recém-nascidos, em incubadoras, são monitorados pelos pais.

Além da superlotação, pacientes filmaram o dia em que uma forte chuva atingiu Manaus. A água escorria pelas paredes da maternidade.

Os servidores terceirizados da saúde estão sem receber desde agosto e alegam que não vão trabalhar porque não têm, sequer, dinheiro da passagem de ônibus. O governo diz que vai pagar o 13º este mês, e que o salário de dezembro será pago no mês que vem. Depois, começarão a pagar os outros atrasos.

O secretário de estado da saúde, Rodrigo Tobias, não soube informar o valor da dívida atual, mas alega que herdou de gestões anteriores. “O Governo do Estado iniciou o ano com orçamento de R$ 2,4 milhões, o que que equivale a 30% a menos do necessário para poder executar todas as funções para ofertar os serviços de saúde. Nós já efetuamos este ano pagamentos de dívidas de exercícios anteriores, o equivalente a R$ 150 milhões, o que é considerado significativo se comparado a anos anteriores”, comentou.

O secretário não informou que, este ano, a arrecadação do Estado já é R$ 2 bilhões maior do que a do ano passado, ou cerca de 13,4% maior, segundo o Portal da Transparência do Estado. E que R$ 2 bilhões o governo teve a mais de arrecadação é mais do que todo o orçamento deste ano da Secretaria de Estado da Saúde (Susam).

Veja a matéria no Jornal Nacional neste link: https://globoplay.globo.com/v/8170495/programa/

(92) 99415-5151

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