Cientistas identificam cratera mais antiga da Terra

Meteoro que atingiu a Austrália há 2.2 bilhões de anos deixou uma marca de 70 quilômetros de tamanho.

O impacto de um grande meteoro não é um evento geológico que costuma passar despercebido. E não é só pela quantidade imensa de energia liberada ou pela nuvem de poeira e detritos que se forma depois que ele toca a Terra – que foi suficiente para bloquear o Sol e contribuir para a extinção em massa dos dinossauros, por exemplo. A cratera resultante de sua aterrissagem pode ter dimensões massivas, marcando o relevo por vários quilômetros.

Ainda assim, vira e mexe descobrimos um novo buraco do tipo incrustada em algum canto do planeta. Foi o que aconteceu na semana passada. Quem é leitor da SUPER acompanhou a história: há 800 mil anos, um meteorito atingiu em cheio a superfície terrestre, espalhando estilhaços de rocha por 10% do globo. Solidificada por uma espessa camada de magma, cientistas encontraram uma vala profunda, com quilômetros de extensão, no sul do Laos, país da Ásia.

Uma semana após a divulgação do achado, geólogos puderam novamente comemorar um grande feito. Agora,  trata-se da descoberta daquela que é considerada a cratera mais antiga da história a marcar nosso planeta. Chamada Yarrabubba, ela tem nada menos que 2.2 bilhões de anos de idade e 70 quilômetros (!) de tamanho, e se encontra no oeste da Austrália. Pesquisadores da Nasa que lideraram a descoberta publicaram um artigo científico sobre ele na revista Nature Communications na última terça-feira (21).

Yarrabubba quebrou o recorde anterior em 200 mil anos. Antes, o título de impacto mais antigo pertencia à cratera Vredefort, na África do Sul, descoberta há 25 anos. O buraco de Yarrabubba já era conhecido pelos cientistas, mas foi a primeira vez que conseguiram averiguar o quão velho ele é.

A idade do mais novo detentor do título foi detectada via análise das formações rochosas dos arredores – mais precisamente, micro-estruturas de rocha cristalizada (zirconita e monazita) que se formaram quando o objeto celeste despencou. Esses cristais contêm urânio, elemento químico que é radioativo. Foi só acompanhar seu processo de decaimento para ter uma estimativa da idade dos minerais e, por tabela, da cratera.

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