Prefeita de Presidente Figueiredo alerta que saída do polo de concentrados do AM vai provocar um caos social no município

Durante reunião e ato em defesa da ZFM, Patrícia Lopes disse que cerca de 4 mil pessoas serão afetadas diretamente, correspondente às que ficarão desempregadas e suas respectivas famílias

A prefeita de Presidente Figueiredo, Patrícia Lopes (União Brasil), participou nesta quarta-feira (11/05) da reunião e ato em defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM), promovidos pelo presidente em exercício da Câmara, deputado federal Marcelo Ramos (PSD-AM), em Brasília.

Falando para o grupo lideranças empresariais e políticas do Amazonas e também de outros estados do país, alguns contra o modelo ZFM, a prefeita alertou sobre o caos social e econômico que pode se abater sobre o município que ela comanda, caso o decreto do governo federal, que isentou do pagamento do Impostos sobre a Produção Industrial (IPI), seja mantido.

De acordo com Patrícia Lopes, Presidente Figueiredo pode perder mais de 1,2 mil postos de trabalho com a inviabilidade da indústria de concentrados na região, que atualmente compra uma produção expressiva de álcool, açúcar e guaraná do município.

“Estive na reunião em Brasília para defender os direitos dos mais de 1,2 mil trabalhadores do nosso município que perderão seus empregos e não terão mais como sustentar suas famílias, caso a agroindústria instalada no nosso município fique sem ter para quem vender sua produção e feche suas portas”, afirma a prefeita, que teme ainda por mais prejuízos econômicos, como a queda na arrecadação.

Dados apresentados pela prefeita demonstram que, com as demissões, a prefeitura terá que assumir a responsabilidade social por, pelo menos, 4 mil pessoas, levando em conta apenas os trabalhadores da Agroindústria Jayoro e seus familiares, sem contar com aquelas que serão afetadas pelo impacto gerado nos setores comercial e de serviços, para onde vai boa parte dos salários, mensalmente, pagos aos seus empregados.

Impactos fora do Amazonas

O senador Omar Aziz, coordenador da bancada do Amazonas no Congresso Nacional, alertou que os decretos de corte de tributos também irão impactar negativamente a indústria nacional a longo prazo, mas afirmou ter extrapolado todas as possibilidades de diálogo com o ministro da economia, Paulo Guedes.

O senador argumenta que se a Zona Franca acabar e, por consequência, houver um aumento de desmatamento na Amazônia, quem mais irá sofrer é o agronegócio e a indústria.

“Americano, francês, alemão, todos eles se preocupam com a questão ambiental. As consequências vão chegar na economia brasileira, na compra de carne e grãos. Não é com a destruição de todo um Estado que vamos melhorar nossa situação fiscal. Eu não creio que o STF (Supremo Tribunal Federal) possa tomar uma decisão diferente da liminar”, ressalta Omar.

Diálogo prevaleceu

Na avaliação da maioria dos participantes o diálogo prevaleceu na reunião e ato em defesa da Zona Franca. A avaliação foi unânime entre os participantes, entre eles lideranças empresariais e políticas do Amazonas, mas também de outros estados como São Paulo e Paraná, além de entidades que fazem oposição ao modelo econômico.   

 “Temos toda a segurança de que estamos lutando pelo modelo de desenvolvimento regional mais exitoso do país, que contribui para o equilíbrio econômico e ambiental do Amazonas e do país. A presença de muitas entidades que estão fora da Zona Franca de Manaus é um sinal de que saímos de uma defesa concentrada na nossa região para angariar novos aliados Brasil afora”, disse o deputado federal Marcelo Ramos, ao encerrar o ato, que aconteceu na Sala de Líderes da Câmara Federal. 

O parlamentar amazonense, presidente em exercício da Câmara, agradeceu a presença de todos, em especial do líder do governo federal na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR) como um gesto que abre a possibilidade de diálogo com o Ministério da Economia e a Receita Federal, entre outros órgãos da esfera federal. Ele anunciou a criação de um grupo de trabalho, no âmbito da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio e Serviços, presidida pelo deputado amazonense Sidney Leite (PSD-AM).

Já o líder do governo, reconheceu que os argumentos postos a favor da Zona Franca são válidos e constitucionais e mobilizará todos os setores do governo federal envolvidos nesta questão para o aprofundamento do debate no grupo de trabalho a ser criado. “Vamos discutir os efeitos dos decretos com todas áreas do governo envolvidas, cientes da função da Zona Franca no desenvolvimento da região amazônica”, disse Barros.

Entre as lideranças políticas presentes ao ato, além da prefeita de Presidente Figueiredo Patrícia Lopes, estavam o coordenador da bancada do Amazonas no Congresso, senador Omar Aziz, os deputados do Amazonas, Sidney Leite, Delegado Pablo e Bosco Saraiva, o líder do Governo, Ricardo Barros, Fausto Pinato (PP-SP), Vitor Lippi (PSDB-SP), Léo Moraes (Pode-RO), Igor Timo (Pode-MG) e Renato Queiroz (PSD-RR). Também esteve presente, o vereador Lissandro Breval, representando a Câmara Municipal de Manaus.

Diversas entidades, como a Federação da Indústrias do Amazonas (Fieam), Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas e Similares (Abraciclo), Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes (Abir), Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Associação Comercial do Amazonas (ACA), entre outras, participaram do evento.

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